quinta-feira, setembro 01, 2005


O que fazia com o Euromilhões?

Dia de calor em Agosto, estaciono o meu carro de classe média, com a gravata italiana de segunda a apertar o pescoço, depois de pisar um belo pedaço de amor de cão, carinhosamente anichado ao pé do meu lugar de estacionamento e vou aturar o meu patrão mal-humorado e a minha colega com os nervos á flor da pele porque o namorado, e o período, e a mãe e o cão lhe tramaram o dia. Entra o cliente ucraniano que roça o incompreensível, que me chateia o juízo durante uma hora para lhe dar dinheiro quando a única coisa que me apetecia era beber um café e fumar um cigarro. Quando finalmente chega a hora de almoço alguém me pergunta se já joguei! - Joguei onde? No euromilhões!
Sim, sim, está aí a solução para todos os problemas! Vamos ver...

Um homem rico é mais culto. Não precisa de ler ou de ouvir. Ele sabe. Quando fala todos o ouvem, pedem conselho e auxílio, e então se perceber de futebol e aparar a barba ainda se arrisca a ser eleito presidente da câmara do primeiro grupo de iletrados com residência nos subúrbios. O homem rico é entrevistado de chinelos e roupão, com o seu glamour inconfundível " Preso eu? Não me façam rir. " Cultura meus amigos, isto é cultura! E se for realmente inteligente, aí é o sonho. Consegue ter um país inteiro para brincar aos soldadinhos, tentar fazer o mapa mundi com peças de Lego, ir visitar o país chamado África e ainda ficar ofendido quando uns auntênticos inconscientes lhe sugeriram que ele podia ter parado as férias, lá porque uma cidade inteira estava devastada por um furacão.

Um homem rico é mais bonito. Nem preciso de me alargar. Um retoque no nariz, umas maçãs do rosto mais salientes, todos os pelinhos retirados electricamente, implantes de cabelo, lifting na pele todo o santo dia e injecções de Botox umas atrás das outras, fazem Apolo parecer um aleijadinho. É a estética em toda a sua perfeição, o sonho de qualquer homem. Olhar-se ao espelho e dizer... hmm.... estive no big brother ou dantes era preto?

Um homem rico atrais mulheres fantásticas. Parece-me óbvio. Quem não sonha em ver-se rodeado de belas e inchadas mulheres (bem-dita a silicone) que nos querem pela nossa personalidade maravilhosa, o nosso toque carinhos e a nossa artilharia no saco. Sejas Trump, Heffner ou Rockefeller, o prazer está garantido. Amor honesto e uma família feliz para o resto da vida. Fácil não é?

Um homem rico não morre, vai para o céu. Os pobres quando morrem é aos milhares, 2.000 em ataques terroristas, 50.000 num maremoto, 100.000 num terramoto. São números. O pobre transforma-se em estatística. O rico quando morre? É em directo para a televisão, com transmissão indeferida no dia a seguir, com todos os detalhes e pormenores. Excesso de velocidade, enquanto ia no carro com uma ex-princesa divorciada, que se tinha casado por puro amor. Isto é que é vida. Se morrer pobre choram quatro ou cinco gatos pingados, se morrer rico é o choque. "´Já viste, morreu logo um dia depois de ganhar o euromilhões! Coitado!"

Ai se eu ganhasse o euromilhões que feliz que era! Ia morar para Hollywood, terra dos cultos e bem falantes, casava-me com a Pamela que por esta altura bem precisa de ajuda, tinha amigos honestos e bem-parecidos, e chegava aos 80 com uma carinha de silicone que nem o Tim conseguiu por no Depp. Era ouro sobre azul.

Em vez dessa vida gloriosa, saí do trabalho, apanhei boleia de um carro com uns olhos azuis que me adoram, fui beber uma cerveja ao pôr do Sol enquanto esperava pela companhia dos amigos para jantar. No dia a seguir perguntaram-me novamente, "e então, já sabes o que fazias com o euromilhões?", mas desta vez já sabia.
Exactamente o mesmo.

sexta-feira, agosto 12, 2005


Quem será o vencedor das autárquicas?

Num blog dedicado aos grandes mistérios da natureza nada melhor que falarmos num dos desafios que se aproximam aos portugueses.

Depois de umas eleições Soares vs Santana em que o primeiro pôs as culpas no Primeiro, o Primeiro fugiu e o primeiro se queixou, (Joãozito já te tenho dito , que não é bonito andares-te a enganar), depois o segundo ficou Primeiro, aquando o terceiro Primeiro se escapuliu para as Europas, vamos assistir a uma corrida com menos matemática mas mais interesse.

De um lado a estrela, o Manuel Maria, camisinha branca com botões no colarinho (acorda homem) mas de fatinho Tenente, pose de pseudo-intelectual de esquerda, trejeitos de Lux ás 6 pista de baixo ao canto, mas olhos de animal político. Sencundado pela referência do urbanismo lisboeta, comparável talvez a Nuno Portas, Manuel Salgado, apoiado pela bomba Bárbara mas com a subida do IVA a fazer-lhe sombra, o Maria está lá! Comer a Bárbara Guimarães é prova de mérito, reconhecida em qualquer ponto do país, com direito a entrada na ordem dos engates de qualquer Universidade. Ela é gira, boa, sexy e gosta de se fazer passar por intelectual. O Maria disse-lhe: Já viste o bem que ficavas nas revistas casada com um filósofo feio que nem um bode, culto e bem falante?. Ele deu-lhe a volta, ponto a favor, nada a acrescentar. Mas será que os lisboetas vão na conversa? Já tivemos o Jorgito, que tinha os discursos mais complexos e enrolados da história da nossa cidade, agora temos um filósofo? Populista e charmoso, chega para primeiro-ministro (e está-se a ver no que dá, dois seguidos é obra), será que chega para os arrogantes lisboetas?

Os laranjinhas, feridos gravemente pela prestação do Lopes, chefiados por uma autêntica estrela de circo (passa pela cabeça de alguém eleger como líder um anão que fala à sopinha de massa?), apresentam como candidato um autêntico, hmmm, búlgaro? Ninguém sabe donde ele veio, é presidente da câmara ninguém sabe muito bem como, é candidato ninguém sabe porquê, e se alguém vai votar nele nunca vai conseguir explicar tal coisa. Sem nenhuma presença, com ar de operáriosóusogravataquandomeobrigam, apela ao voto na formiguinha aplicada. Sério e com o discurso, trabalho, trabalho, trabalho, vai certamente querer mostrar o trabalho feito, auto-intitular-se homem da casa (ele nasceu na cave, expelido pela mãe num momento Suskind) e questionar as aptidões técnicas??? do Manuel Maria. Nada de novo aqui. Com o povo chateado com as medidas rígidas do Zé, irritados com o prometi que não fazia mas fiz, talvez o Sr. Carmona da Mercearia tenha sorte. Já mostrou que também sabe fazer das suas, apagando a sua imagem ingénua ao pressionar o Monteiro a não apresentar candidatos a Lisboa. A seguir com atenção.

O PP está perdido. Goste-se ou não se goste do Paulo Portas, ele tem um dom. Abraça cada projecto com uma convicção inabalável, e molda o mesmo à sua imagem. Foi assim com o Independente e foi assim com o CDS/PP. Ao abandonar o Independente, os políticos puderam voltar a respirar à sexta-feira, acabou-se o mistério da manchete escandalosa, voltou-se à monotonia do Expresso. A glória do Independente acabou. Foi assim com o Independente, será assim com o CDS/PP. A mulher escolhida tem todo o perfil para líder. Tem ar de cabra, veste-se à cabra, fala à cabra e citando a escritora da moda, tem resposta para tudo - "não me parece!" Exemplificando - Vai deixar de ir à Av. de Roma para tratar dos problemas de segregação dos bairros socias? "Não me parece" ou ainda - A manicure pode ficar de parte, para tratar do túnel do Marquês? "Não me parece". Perdedora à partida arrisca-se a assinalar a derrocada dos populares.

Pelos comunas temos o costume. Vira o disco e toca o mesmo, sem graça ou ponta para pegar, grandes comentários a fazer ou a serem feitos, vai receber os votos do costume, dos apoiantes indefectíveis e daqueles que confundem o bom trabalho das freguesias vermelhas com a política em grande escala. Chapa três, sem espinhas.

Chegamos ao enfant terrible. Lisboa é gente. Desconfortável pedra no calcanhar dos candidatos mainstream e do anterior mandato, a ovelha negra está aí. Sá Fernandes é acutilante, perigoso e incontrolável, sem papas na língua e com o túnel atravessado na garganta. Ataques a laranjas, azuis, vermelhos, rosas e todas as mais cores que aparecerem são de esperar, assim como um acumular de processos em tribunal contra o seu espírito crítico. Salve-se quem puder.

Os candidatos tão aí, que a palhaçada comece pois o Soares vs Cavaco já tem bilhetes à venda.

quarta-feira, agosto 03, 2005


Para começar um blog nada melhor que um mistério, e escolhi talvez um dos maiores de todos eles.

Pois bem, já alguém pensou o que faz um búlgaro?
Para começar, ninguém sabe onde fica a Bulgária, país destes misteriosos Aliens, algures perdida na europa de lá, que é como quem diz do outro lado da Lua, perto do Mar da Tranquilidade na terceira cratera da esquerda. Como lunáticos e estranhos seres que são, vem imediatamente à cabeça de qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, o que comerá um búlgaro! Sim, comer, pois até um búlgaro come. Mas come o quê? Com talheres ou pauzinhos? Será que pede uma galinha com amêndoas junta ketchup e leite e reza depois de comer para agradecer ter sobrevivido a tal agressão gastronómica? Ou pior, será que os seus hábitos alimentares estão directamente ligados aos amplamente divulgados rumores de que os búlgaros não têm filhos, mas contratam novos elementos nas ligas inferiores brasileiras?

Surge logo uma outra dúvida essencial sobre o povo Búlgaro. Das poucas imagens que se conhece deste povo é de destacar as suas enormes barbas, a sua pequena estatura e corpo disforme, pelo que a dificuldade na diferenciação sexual leva à pergunta, os Búlgaros têm relações conjugais? Inúmeros estudos feitos por especialistas sobre o Grande Mistério Búlgaro referem-se a relatos do Século XIII sobre este assunto, em que era descrita uma cerimónia bárbara muito parecida com a luta de galos, em que o macho (se podemos falar nestes termos em relação a um búlgaro) que perdia o conflito era decapitado dando assim início à conquista da fémea pelo macho dominante. Do sangue era confeccionado uma das famosas iguarias búlgaras, integrado na sua selecção de doces conventuais.

No dia a dia a vida de um búlgaro é talvez semelhante à de uma pessoa normal. Apesar de se desconhecer as áreas em que é desenvolvido trabalho, sabe-se que guiam apenas automóveis amigos do ambiente, que param nos sinais vermelhos, não buzinam ou dizem palavrões, chegando mesmo a ser educados no ceder passagem, uma das claras razões do cisma Portugal-Bulgária de 1981, levamos 5 que até vimos estrelas, daí a expressão popular "mamar golos como um Bento de um Búlgaro".

Podemos reunir algumas conclusões e fazer a imagem mental de um barbudo atarracado com um estômago forte, sotaque brasileiro, ao volante de um smart verde a caminho de uma luta de galos depois de um chop-suey de vaca com chocolate branco e pastilha elástica.
O mistério Búlgaro continua a despertar o interesse de milhões de pessoas em todo o mundo pelo que vos deixo com alguma bibliografia que pode ser consultada em qualquer biblioteca de prestígio.

"O Búlgaro e eu" Durão Barroso 1976
"O porquê das membranas nos dedos dos pés de um Búlgaro" Jacques Cousteau 1981
"Sonhos de um Búlgaro no despertar sexual" Sigmund Freud 1930
"Ideia original" by TT